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Cidades investem em “repúblicas de vovôs”

Idosos dividem casa, contas e afazeres em moradias custeadas por prefeituras; em SP, Santos é a pioneira

da Folha de S.Paulo

Eles dividem as contas e se revezam nos afazeres domésticos. Tudo como em uma república universitária, não fosse por um detalhe: eles têm mais de 60 anos.

Várias prefeituras do país estão investindo nas repúblicas de “vovôs”. A ideia é oferecer uma opção de moradia a idosos com autonomia física e mental, mas que têm vínculos familiares frágeis e não querem viver sós.

A cidade de Santos foi uma das primeiras, há 15 anos. Hoje, a prefeitura mantém quatro repúblicas, com cerca de dez idosos cada uma. Os moradores decoram o quarto, limpam, cozinham e podem sair a hora que quiser. “Pode até chegar à meia-noite”, diz o ex-jogador de futebol Cláudio Marciano de Queiroz, 81, morador da república Vitória há dez anos.

Na república Bem Viver, também em Santos, a cozinha é de uso livre e a limpeza é dividida por dias da semana. O serviço pesado, porém, fica para uma funcionária. Divorciado, Mário Vergara, 72, diz que chegou à república, de onde não pretende sair, após se mudar para Santos. Lá, paga R$ 90 de aluguel, luz e água.

Modelo

Do litoral paulista, as repúblicas se espalharam para outras cidades. Em Bauru (SP), por exemplo, uma casa mista deve ficar pronta no segundo semestre. Lá, todos os custos serão cobertos pelo município, que pretende investir até R$ 10 mil por mês.

Para a titular da Secretaria de Bem-Estar Social de Bauru, Darlene Tendolo, a diferença para um asilo está em deixar os idosos cuidarem um do outro. “Não tem um funcionário para dizer: “Está na hora de dormir!’”

São José do Rio Preto (SP), Belo Horizonte e Divinópolis (MG) têm projetos parecidos. Todas abrigam somente “vovós”: em Rio Preto, onde a república foi inaugurada em julho passado, são cinco. BH tem sete, que contribuem com até 70% da renda e palpitam em tudo. Já em Divinópolis são oito, em duas casas.

Em todas as cidades, a seleção é feita por assistentes sociais e o alvo são idosos que recebem até dois salários mínimos. “São pessoas que vieram de lugares diferentes e formam uma família”, diz a coordenadora do projeto em Santos, Celiana Nunes.

Para a presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, Cláudia Fló, o benefício desse modelo está em permitir uma vida social. A gerontóloga também elenca alguns riscos. “Talvez as pessoas que convivem com o idoso na casa não tenham o olhar crítico que os profissionais de saúde teriam”, afirma. Por isso, as prefeituras precisam supervisionar a saúde deles.

   
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