Conheça iniciativas para implantação de hortas em terraços de edifícios, lajes, terrenos de imóveis comerciais e residenciais
Lívia Andrade, do portal Sou Agro
Durante a 7ª Bio Brazil Fair, feira internacional de produtos orgânicos e agroecologia, que aconteceu no final de julho no pavilhão do Ibirapuera, na capital paulista, um estande chamou à atenção dos visitantes. Tratava-se do espaço destinado ao Programa de Agricultura Urbana e Periurbana de São Paulo, o Prourb, e o grande chamariz foi a cenografia, que utilizou hortaliças em vasos para decorar o ambiente.
Quase todo mundo que passava por lá parava para perguntar: “Eu consigo fazer isso em casa?” Para responder, o Sou Agro foi atrás de iniciativas que têm contribuído para aumentar o lado verde da Selva de Pedras.
Uma delas é o programa “Plantando na Cidade” do engenheiro agrônomo Marcos Victorino, professor da Faculdade Cantareira. O projeto consiste na implantação de hortas em terraços de edifícios, lajes, terrenos de imóveis comerciais e residenciais.
“A cidade de São Paulo se verticalizou e as pessoas não têm mais quintais e, quando têm, o prédio vizinho barra a luminosidade”, diz Victorino. Essa constatação levou o professor a desenvolver a metodologia do “Plantando na Cidade”. As duas únicas exigências são: espaço aberto e incidência de sol. Não é necessário solo, porque o plantio é feito no substrato sobre as telhas.
O mecanismo é muito simples. O interessado vai precisar de terra, sementes e de uma telha canalete de fibrocimento de quatro metros com 90 centímetros de largura e 25 de profundidade, que sai por cerca de R$ 150. O custo total não ultrapassa R$ 250 e a drenagem da água é feita por calha ou ralo que já exista no local. Veja, abaixo, algumas fotos de projetos já realizados.
A pessoa pode optar por legumes e hortaliças de sua preferência. A única ressalva é que, no caso das cenouras, é preciso escolher as de raízes tamanho médio por causa da limitação do espaço. “Cada metro de telha produz 16 pés de alface”, conta Victorino.
O “Plantando na Cidade” foi inspirado no Roof Top Farms, fazendas de terraço nos Estados Unidos. “Lá, a ideia surgiu na classe média com uma questão não só alimentar, mas terapêutica”, diz o professor. No Brasil, o projeto tem despertado a atenção de escolas e entidades que trabalham com idosos e com pessoas com necessidades especiais. A distância que a telha estará do chão vai depender do público alvo.
Qualidade
Mas se você tem dúvida da qualidade das hortaliças por causa da poluição do ar, uma aluna de mestrado da Universidade de Taubaté fez avaliações e não encontrou metais pesados na produção. Isso porque a contaminação se dá por solo ou água. Nas grandes cidades, a abundância de CO2 acaba tendo um efeito benéfico na aparência das hortaliças.
“A planta precisa de água, CO2 e nutrientes para crescer, por isso as folhas têm tido uma espessura maior”, explica Victorino. No caso da poeira e da fuligem, o consumidor pode ficar despreocupado, porque a planta não absorve, basta lavar a verdura. Há ainda um ganho indireto de ocupar os terraços e lajes com hortas. “A energia que seria transformada em energia térmica é absorvida pela planta, o que ajuda a diminuir as ilhas de calor no verão”, afirma Victorino.
Outra iniciativa parecida é o Programa Escola Estufa Lucy Montoro da secretaria de Participação e Parceria da Prefeitura de São Paulo. O projeto consiste na capacitação de pessoas para a formação de hortas, uma forma de incentivar a alimentação saudável que ajuda na prevenção de doenças.
“A ideia é que elas se tornem empreendedores sociais visando melhorar o bem estar do próximo”, diz Marcelo Cardoso, sociólogo do programa. O projeto envolve as 31 subprefeituras e o objetivo é que cada sub tenha uma horta estufa até o fim da gestão atual.
O curso tem uma duração que varia de um mês e meio a três meses e é aberto ao público em geral. Se você mora em apartamento e quer cultivar em vasos alguns temperos, saiba que cebolinha, salsinha e manjericão se desenvolvem bem, já hortaliças não são viáveis pela limitação de espaço.
17/08/2011
Serviço
Quem quiser o passo a passo para fazer uma horta no terraço, pode escrever para: plantandonacidade@uol.com.br
Para se inscrever no curso de capacitação para formação de hortas da Secretaria de Participação e Parceria, ligue para (11) 3113-9710.




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